quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Formação da Nação Chilena. Das Origens à Independência





La cruz,
la espada,
el hambre
iban diezmando
la familia salvaje.
Terror,
terror de un golpe
de herraduras,
latido de una hoja,
viento,
dolor
y lluvia.


Trecho do poema “ODA A LA ARAUCARIA ARAUCANA”
Pablo Neruda (1904 – 1973)

Das origens à invasão espanhola

A descoberta do Estreito que liga o Oceano Pacífico ao Atlântico pelo navegador português Fernão de Magalhães, em 1 de novembro de 1519, é considerada pela historiografia chilena como a data de sua descoberta.
Antes da chegada dos conquistadores espanhóis a região que hoje forma o território do Chile era habitada por diversas tribos indígenas que ali se fixaram a partir da chegada dos primeiros povoadores vindos pelo Estreito de Bhering, por volta de 10.500A.C.

A da cordilheira dos Andes e o deserto de Atacama formaram barreiras naturais que dificultaram a conquista e a colonização espanhola. Além disso, os espanhóis encontraram forte resistência por parte dos Mapuches, tribo que habitava a região na época da invasão espanhola.

A violência e crueldade dos conquistadores espanhóis foram fartamente relatadas por cronistas na época e pela historiografia. Nas guerras da conquista do Chile tiveram papel de destaque Diego de Almagro (1535) e Pedro de Valdivia (1540) que perde a vida em combate contra os Mapuches. O heroísmo e tenacidade dos Mapuches em resistir aos invasores foram cantados em versos pelo poeta e soldado espanhol Alonso de Ercilla y Zúniga no poema épico “La Araucana”. Outra obra que relata os paços da conquista espanhola no Chile é a do Capitão Alonso de Góngora Marmolejo , que serviu ao lado de Valdivia até a data de sua morte, relatada em detalhes por ele em carta supostamente dirigida ao Marques de Cañales, Vice-Rei do Perú (MARMOLEJO, P. 414).

Uma das revoltas Mapuches quase pôs fim à tentativa de colonização do Chile, em 1598, ficando conhecida como o Desastre de Curalaba, quando as cidades ao sul do Rio Biobío foram arrasadas.

A época Colonial

Após a chamada Guerra do Arauco, entre as forças militares espanholas e os Araucanos estabeleceu-se uma fronteira tácita entre a colonização espanhola e as terras sob domínio Mapuche, situação que perdurará por mais de dois séculos. A Capitania Geral do Chile tinha como capital a cidade de Santiago e era gerida por um governador e capitão geral, assessorado pela Real Audiência, presidida pela figura do governador.

A Real Audiência era um órgão de consulta do governador e tinha ainda a função de Tribunal de apelação do reino. Embora a capitania dependesse do vice-reinado no que se refere a recursos militares e comerciais, não havia uma subordinação real entre o governador e o vice-rei. A administração da justiça da capitania era autônoma a exceção das questões religiosas administradas pelo Tribunal da Inquisição e das questões comerciais que possuíam uma sede em Lima, no Peru.

A presença da cordilheira dos Andes, do deserto de Atacama e o parco desenvolvimento das populações pré-colombianas ali assentadas, aliado aos constantes terremotos fizeram do Chile a região mais pobre do Império espanhol na América. A principal atividade econômica era no início da colonização (sec. XVII) o comércio de derivados animais como o sebo, o couro e o charque que eram feitos com o Peru. Já no século XVIII o Chile torna-se produtor e exportador de trigo para o vice-reinado e para o Peru, dando origem à formação de uma estrutura social agrária. Outra atividade econômica desenvolvida no século XVIII foi a mineração do ouro, da prata e do cobre. O sistema de monopólio por si não era suficiente para coibir o contrabando em franca ascensão no século XVIII, realizados por navios ingleses, franceses e dos Estados Unidos.

A Independência do Chile

A chegada da notícia das invasões napoleônicas na península Ibérica, em 1808, e o encarceramento do Rei Fernando VII da Espanha arrefece os ânimos nas colônias da América. O Rei da Espanha não teve a mesma sorte de D. João, Rei de Portugal que teve tempo de fugir às pressas para o Brasil.

A notícia faz germinar entre os criollos, filhos da aristocracia espanhola nascidos na América, o movimento pela constituição de uma junta de notáveis que substituísse o governo espanhol enquanto durasse o cativeiro do Rei, o que foi instituído em setembro de 1810, tendo à frente Mateo de Toro Y Zambrano. È formado o primeiro Congresso Nacional onde os moderados, que defendiam maior autonomia sem chegar à completa separação do Império espanhol eram maioria em relação aos exaltados, que defendiam independência absoluta imediata. A cada melhoria implementada, sobretudo a partir da adoção dos primeiros textos constitucionais, em 1811, ia crescendo entre os criollos o desejo de independência. É nesse período que é criada a Biblioteca Nacional e o primeiro jornal chileno, a Aurora de Chile.

Os ânimos se exaltam e estoura a guerra de independência e, em outubro de 1814 as tropas fieis à Coroa vencem os revoltosos na Batalha de Rancagua dando início ao período conhecido como da Reconquista Espanhola restaurando-se as instituições coloniais. Os líderes do movimento pela independência refugiam-se em Mendonza, na Argentina formando ali o Exército dos Andes com o objetivo de retomar a luta. Sob o comando do general argentino José de San Martín ladeado por Bernardo O’Higgins, líder das milícias chilenas o Exército dos Andes atravessa a Cordilheira e vence as tropas reais na batalha de Chacabuco, em fevereiro de 1817 dando início ao período conhecido como Pátria Nova. Bernardo O’Higgins é nomeado diretor supremo e, no primeiro aniversário da Batalha de Chacabuco, em 12de fevereiro de 1818 declara formalmente a independência do Chile.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

REDES SOCIAIS DIGITAIS E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO CHILE EM 2009



A POLÍTICA NA ERA DO E-MARKETING 2.0

Atualmente, no Chile, seis políticos lançaram oficialmente suas candidaturas para as próximas eleições presidenciais que ocorrerão em 13 de dezembro próximo e, todos eles à sua maneira, vêm procurando ocupar espaço nas chamadas redes sociais digitais objetivando conquistar a preferência do eleitorado. E não poderia ser diferente, uma vez que a vitória de Barak Hussein Obama inseriu a ação político-eleitoral na era do e-marketing 2.0 constituindo-se um marco significativo na história, não só dos Estados Unidos, país que por mais de três séculos carregou a mancha da segregação racial, mas também nos processos de comunicação global e na forma de se fazer política.0

Sua equipe ousou inovar lançando mão de instrumentos e canais de comunicação até então muito pouco utilizados em campanhas eleitorais. Logo de início o candidato abriu mão do financiamento público de campanha, um dinheiro fácil vindo dos cofres públicos, para arriscar-se na captação de fundos via internet. A estratégia provou ser acertada, uma vez que o volume de recursos captados atingiu a cifra de mais de 600 bilhões de dólares em doações online. Isto contra pouco mais de 84 milhões a que o candidato republicano John McCain dispunha como teto de gastos por ter aceitado o financiamento público.

Obama centrou esforços nos pequenos doadores, e estes eram cativados via interação na rede digital. A vitória do democrata não foi somente uma questão de mais recursos. Atingiu-se está cifra astronômica graças à política de e-marketing 2.0, carro chefe da campanha de Obama, e isto em um momento em que os usuários da rede clamam por interatividade.

Antes mesmo de definido o candidato do partido as ações de e-marketing de Obama já chamavam a atenção de analistas políticos e especialistas em redes sociais digitais. Inácio Rodrigo de Castro, especialista e TI apontava, pouco antes do fechamento das previas partidárias, em seu blog:

“Até agora ninguém pode afirmar qual candidato vencerá as prévias que definem os candidatos oficiais de Democratas e Republicanos nos Estados Unidos. Porem, o marketing e o e-marketing adotado pela equipe de Barack Obama já merece grande destaque. A “campanha e-marketing 2.0” realizada pelo candidato Barack Obama é fantástica e inovadora no marketing político no mundo. Se a eleição fosse através da net, provavelmente o candidato Barack Obama, que tem dado muito trabalho a ex-primeira dama Hillary Clinton, já estaria eleito como presidente dos Estados Unidos”.

http://inaciorodrigodecastro.com.br/blog-barack-obama-inacio-rodrigo-de-castro acesso em 15/08/2008 - 21h18.


As estratégias na rede foram entregues a Chris Hughes, co-fundador da rede social Facebook, com larga experiência em interatividade. Hughes foi o idealizador do MyBarackObama.com, a plataforma de rede social que centralizou as atividades da campanha online, também chamada de MyBO. A presença na rede foi arrasadora. Por onde se navegasse haveria à disposição conteúdos produzidos tanto pela campanha como por iniciativas individuais. Pela rede circularam desde e-mail com convites para a participação das mais diversas atividades de campanha, pedidos de doações, mensagens do candidato, links para vídeos, músicas, relatos de campanha. Quem desejasse poderia criar na rede social digital MyBO um blog pessoal personalizável de apoio à candidatura onde se poderia participar de várias atividades on-line com o candidato. Mais de 35 mil blogs de apoio a Obama foram criados.

Um milhão de pessoas se tornaram assinantes do sistema de envio de mensagens pelo celular, 200 mil eventos foram planejados, 400 mil posts escritos e mais de 35 mil grupos foram criados por meio da rede MyBarackObama.

A presença maciça nas redes sociais digitais foi uma estratégia de campanha rendeu preciosos frutos. Com baixo custo foi possível atingir um número altamente significativo de adesões, sempre segmentando as ações. Obama fez-se presente em todas as principais redes: Facebook, YouTube, Flickr, MySpace, Digg, Eventful, Twitter, Linkedin, AsianAve para levar sua mensagem aos descendentes de asiáticos, BlackPlanet, Glee, Faithbase, MiGente e Batanga para falar aos latinos e o Eons para os nascidos entre 1946 e 1964, os famosos baby boomers. A estratégia de segmentar a mensagem para atingir públicos específicos respeitou ainda as linguagens, gostos e problemáticas de cada público. Nestas comunidades conteúdos produzidos por simpatizantes tomaram a rede e multiplicaram-se. Exemplo disto foi o vídeo "Yes, we can" produzido pelo Will.i.am baseado em um discurso de Obama. O vídeo fez tanto sucesso que ganhou um site próprio, o www.dipdive.com. Outro exemplo foi a canção Vote for Hope, feita pelo MC Yogi que, em pouco tempo, tornou-se sucesso e foi tocada nas rádios de vários países inclusive no Brasil.
Além das comunidades virtuais segmentadas buscando atingir públicos específicos a campanha oferecia aos internautas uma loja virtual onde eram vendidos os mais variados produtos, todos eles de muito bom gosto.

A campanha conseguiu fazer do candidato democrata uma grife, uma lovemark e o mercado passou a oferecer tênis, camisetas, sacolas, roupa para cachorro, canecas, e até calcinhas com a marca da campanha, vendidas no Cafepress, uma loja virtual de produtos variados. Como estratégia sagaz de ataque papel higiênico com os rostos estampados de McCAin e Bush foram postos à venda.

Outra iniciativa da campanha foi disponibilizar no site do candidato ringtones e wallpaper para celulares. Até mesmo um aplicativo para smartfone foi desenvolvido visando atrair para a campanha de Obama os usuários.

Com planejamento e sagacidade sua equipe usou e abusou da interatividade dos novos meios de comunicação para aproximar o candidato do seu eleitorado potencial.
“Obama, em um de seus comícios no Central Park em Nova York depois de um discurso empolgante, convocou os presentes a se juntarem à campanha. Como? Resumindo a história, gritou em alto e bom som algo como: “peguem seus celulares agora, digitem “Join” e enviem o SMS para o número X”. Feito. Isso foi o bastante para que os presentes se conectassem a campanha através do mais “íntimo” dos seus aparelhos. E foi também o adeus definitivo às velhinhas voluntárias que recolhem assinaturas no bom e velho papel, ao lado do palanque."
http://inaciorodrigodecastro.com.br/blog-barack-obama-inacio-rodrigo-de-castro acesso em 15/08/2008 - 21h18.


Esta comunicação dirigida, feita aos milhares e milhares, mas por meio de uma tecnologia que permite não somente transmitir mensagens no velho esquema emissor/receptor como na comunicação eletrônica, mas privilegiando a interatividade das redes sociais digitais, produziu conteúdos desvinculados das grandes corporações da mídia (TV e jornais).

Aí reside a força da estratégia vitoriosa de Obama que ousou fincar os dois pés no século XXI, onde, segundo FELICE, “a humanidade estaria enfrentando uma ulterior revolução comunicativa, implementada pelas tecnologias digitais, que, numa concepção histórica, constituiria a quarta revolução e que, como as outras, estaria ocasionando importantes transformações no interior dos distintos aspectos do convívio humano.”(FELICE, 2008, p.22).

Com maestria a campanha de Obama soube lançar mão do que há de mais atual em termos de comunicação digital, privilegiando a interatividade, a liberdade de expressão e a participação democrática, inaugurando uma nova era na comunicação política e eleitoral.

Nos próximos dos meses nossa reflexão terá como objeto as ações de campanha dos candidatos à presidência no Chile no que se refere à utilização dos recursos do e-marketing 2.0, tema de meu trabalho de conclusão do curso de especialização em Marketing político e propaganda eleitoreal na Escola de Comunicação e Arte da Universidade de São Paulo.

Buscaremos avaliar em que medida as inovações implementadas a partir da campanha americana se farão presentes nas ações dos candidatos chilenos no que se refere à captação de recursos, comprometimento e mobilização do eleitor, criação de canais de expressão para manifestação de opinião e ainda como enfrentarão a enxurrada de conteúdos produzidos pelos cidadãos comuns nas redes sociais digitais com o objetivo de ataque. Estes, quase sempre postados no site Youtube, batem recordes de exibição e, muitas vezes tem o poder de causar severos estragos.

É importante ressaltar que no Chile, segundo dados do comScore de junho de 2007, a taxa de penetração no que se refere ao número de internautas em relação ao conjunto da população é de 45%, a maior dentre os países da América Latina, e segundo estudo realizado pela Everis, consultoria multinacional de negócios e tecnologia da informação, em parceria com a Escola de Negócios da Universidade de Navarra (IESE Business School), em 2008, 97,5% de suas conexões são feitas por banda larga.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quartelada latino-americana


Para aqueles que esperavam não mais presenciar quarteladas na América Latina o golpe militar desencadeado domingo último em Honduras, que depôs José Manuel Zelaya Rosales eleito democraticamente nas urnas, fez-nos reviver os horrores vividos em grande parte dos países da América Latina durante o século passado.

A fórmula é bem conhecida: um grupo de cerca de 200 militares encapuzados e fortemente armados invadiu no último domingo, 28 de julho ao amanhecer do dia, a residência oficial do presidente metralhando portas, arrancaram-no da cama de pijama e o deportaram para Costa Rica, como relatou Zelaya no exílio para a CNN Chile.

Membro da classe economicamente dominante, filho de latifundiários pecuaristas e do setor madeireiro, Zelaya foi eleito em 2005 pelo Partido Liberal com um programa que priorizava a segurança e um conjunto de ações educativas para reintegrar os jovens das inúmeras gangues das cidades hondurenhas em oposição a proposta de pena de morte defendida por seu oponente.

Desde sua posse Zelaya afastou-se de seu partido e de suas bases no Congresso aproximando-se dos Sindicatos e do movimento indígena ganhando simpatia com sua política de aumento do salário mínimo em mais de 60% durante seu mandato. Em seu governo Honduras aderiu à ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas – o que causou no empresariado o medo de que Zelaya realizasse nacionalizações.

O estopim para o golpe foi a proposta de realização de um referendo popular, marcado para o dia do golpe, onde os hondurenhos iriam optar pela inclusão de uma urna nas próximas eleições de novembro para a eleição de uma Constituinte. Embora o referendo tenha sido marcado a partir da coleta de mais de 400 mil assinaturas como exige a Constituição, o Congresso, o comando do exército e a Corte Suprema posicionaram-se contra.

O novo no episódio é a posição assumida pelos Estados Unidos que, de sua histórica postura de artífice e apoador de golpes de estado manteve-se desde a fase das articulações contra a ação golpista. Em entrevista dada ao jornal El Pais dois dias antes do golpe, Zelaya, que havia destituído o Comandante do Exército por boicote ao plebiscito já denunciava as articulações da classe dominante e do alto comando das forças armadas para a realização do golpe e afirmava que só se mantinha no poder graças ao apoio dos EUA. É importante lembrar que Honduras na década de 80 foi, graças ao treinamento e financiamento americano, a principal base contra revolucionária na luta contra o Sandinismo na Nicarágua.

O Congresso fez ler uma falsa carta renúncia de Zelaya e empossou como interino o presidente da casa, Roberto Micheletti que para conter os protestos populares decretou toque de recolher e suspensão das garantias constitucionais.

O Episódio nos faz lembrar o fracassado golpe contra Hugo Chaves em 2002 magistralmente registrado pelos cineastas Kim Bartley e Donnacha O'Briain no documentário A Revolução não será televisionada. Na época a população Venezuelana tomou as ruas e forçou os golpistas a restituírem o poder usurpado a quem de direito o havia conquistado nas urnas.

Sinal dos novos tempos, a OEA, a ONU e muitos chefes de estado, e dentre este Lula, tem feito coro aos Estados Unidos na condenação da aventura golpista, exigindo a volta imediata ao estado de direito e a devolução do cargo a Zelaya.

Que vença a democracia e o sonho sobre o medo e a truculência antidemocrática.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dilma cresce significativamente



 

A 97ª Pesquisa CNT/Sensus divulgada no dia 1º deste mês indicou acertos na estratégia de exposição da candidata do planalto, Dilma Rousseff que apresentou crescimento significativo no índice de intenção espontânea de voto. Dilma soma agora 5,4% e está tecnicamente empatada com José Serra que obteve 5,7%. Como era de se esperar, a grande maioria dos eleitores ainda não tem candidato "na ponta da língua"; 58,6% declararam-se sem candidato.

Lula, embora não seja candidato, aparece como o mais citado com 26,2%. O índice reflete a alta popularidade do presidente que voltou a subir e soma agora 81,5% de aprovação pessoal. Em março este índice era de 76,2%. A aprovação do governo também voltou a subir e apresentou índice de 69,8% de aprovação contra 5,8% de avaliação negativa. Em março eram 62,4% de aprovação contra 7,6% de descontentamento.

Os altos índices de aprovação de Lula e de seu governo, aliada a uma estratégia acertada de exposição, fez com que a candidatura Dilma crescesse significativamente também nos índices estimulados de intenção de voto (23,5%) ocupando já a segunda posição no cenário em que Serra (40,4%) aparece como o candidato do PSDB.

No cenário em que Aécio Neves aparece como o candidato do PSDB, Dilma assume o primeiro lugar obtendo 27,8% contra 18,8% de Aécio. O estudo, realizado entre os dias 25 e 29 de maio último ouviu 2 mil eleitores em 136 municípios do Brasil possui margem de erro de 3%. Foram apresentados aos entrevistados cinco cenários para o primeiro turno e quatro para o segundo turno.

O governador de São Paulo somava, em setembro do ano passado, 38,1% de intenção estimulada de voto no cenário em que eram apresentados como candidatos Dilma, Heloisa Helena e Ciro Gomes. Dilma ostentava minguados 8,4%. Em oito meses o índice de intenção de voto da candidata do planalto teve um crescimento da ordem de 265%. Já a candidatura Serra estagnou como demonstram os números da pesquisa expostos no quadro abaixo.

PRESIDENTE 2010 – 1º TURNO

CANDIDATOS

SET 08

MAI 09

VARIAÇÃO

José Serra

38,1

38,8

1,018%

Dilma Rousseff

8,4

22,3

2,654%

Heloísa Helena

9,9

10,3

1,040%

Ciro Gomes

17,4

9,0

0,517%

Nenhum/Branco/Nulo

13,1

11,2

0,855%

NS/NR

13,2

8,6

0,651%

        

    No último programa eleitoral do partido dos trabalhadores e, sobretudo nos spots de 30 segundos veiculados durante a programação normal, Dilma é destaque. A criação e roteiro são de Chico Cavalcante e Vera Paoloni (Produtora Makro vídeo). Bem elaborados e perseguindo objetivos estratégicos claros, precisos, as peças buscam estabelecer o diferencial entre o governo Lula e seus antecessores (leia-se FHC), transferir a credibilidade de um governo otimamente avaliado para a candidata e firmar o compromisso de continuidade das mudanças e conquistas alcançadas pelo governo Lula. Em ambas as peças veiculadas Dilma, em seu novo visual, mais feminina e menos dura, encerra com a fala "Esse é o nosso compromisso, essa é a nossa diferença". Confiram nos links http://www.youtube.com/watch?v=B2D9XEyPoSw

http://www.youtube.com/watch?v=LqQrky0B81o

    A divulgação dos números tem gerado manifestações tanto na ala petista como na oposição. Hoje a jornalista da Folha de São Paulo, Renata Lo Prete, fez publicar na coluna que assina, declaração do deputado federal Vic Pires (DEM-PA): "Do jeito que a Dilma está crescendo, logo logo o Serra será Aécio desde criancinha."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Morte anunciada

Como já era previsto a pressão dos pequenos e médios e partidos da base de sustentação de Lula, que fatalmente perderiam seu já exíguo espaço na vida política nacional com a instituição do voto em lista fechada, venceram a queda de braço com o planalto enterrando a proposta de reforma política apresentada por Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).
A partir de um acordo de lideranças, PT e PMDB optaram por “preservar a unidade” do bloco governista abandonando a proposta patrocinada pelo planalto.
Na sessão plenária de ontem (26-05) o que se viu foi cena inusitada. A oposição fez uso da tribuna para, nas falas de Ronaldo Caiado (DEM) José Anibal (PSDB), Fernando Coruja (PPS) e Ivan Valente (PSOL) defender e cobrar a votação da proposta.
Enquanto a oposição defendia a proposta do planalto os líderes dos partidos de sustentação do governo calaram-se e negaram assinatura no requerimento de pedido de urgência para a votação da matéria; defendem agora a proposta de José Genoíno de convocação de Constituinte unicameral dedicada exclusivamente à reforma política para 2011.
Genoíno tem visitado municípios debatendo sua proposta e estará amanhã, (28-o5) na Câmara Municipal de Mauá, município do grande ABC.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

A democracia que queremos



O Congresso vem retomando as discussões sobre a reforma política e, com o aval do Planalto, PT, PMDB, DEM, PPS, PC do B e parcela do PSDB vem apoiando a proposta sistematizada pelo deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que prevê o financiamento público de campanha e a instituição do voto em lista fechada para os cargos legislativos.
A proposta em questão necessitará de maioria simples para ser aprovada, pois não altera a fórmula eleitoral –sistema de distribuição de cadeiras estabelecido no art. 45 da Constituição–, o que implicaria na aprovação de emenda constitucional e necessitaria de três quintos dos votos das duas casas em duas votações. Assim, corremos o risco de ver essa proposta ser aprovada já para as eleições do próximo ano, sem que haja uma discussão mais aprofundada da sociedade civil e do próprio Congresso sobre qual a democracia que queremos.
Para entender melhor a questão convém lembrar que, no Brasil, vigora a votação em lista aberta, ou seja, partidos e/ou coligações apresentam uma lista de candidatos e o eleitor vota no de sua preferência. Além do Brasil, Chile, Peru, Finlândia e Polônia usam a lista aberta para comporem as casas legislativas.
Quanto ao cálculo de distribuição de cadeiras são utilizadas hoje no Brasil duas fórmulas: a chamada "Quota Hare" ou quociente eleitoral, onde o número de votos válidos é dividido pelo número de cadeiras. Cada vez que um partido atinge a quota elege um representante. O quociente eleitoral funciona no Brasil como cláusula de exclusão, pois o partido que não atingir o número mínimo de votos expresso pelo quociente eleitoral estará fora do legislativo. As cadeiras não preenchidas pelo quociente eleitoral são distribuídas pela chamada fórmula D'Hondt ou das maiores médias. Esta fórmula é aplicada em países como Bélgica, Bulgária, Chile, Dinamarca, Israel, Polônia e Suécia, mas as cadeiras obtidas por uma dada coligação são redistribuídas proporcionalmente à votação de cada partido que a compõe, o que no Brasil não ocorre, causando graves distorções a ponto de partidos com menos votos que outros elegem representantes.
Os críticos do atual sistema eleitoral em uso no país argumentam que as listas abertas personalizam a conquista do voto em detrimento do fortalecimento dos partidos, incentivam a competição entre candidatos de um mesmo partido, elevam consideravelmente os custos das campanhas e a utilização do caixa2 e ainda incentivam o fisiologismo e a proliferação dos chamados partidos de aluguel. Os defensores, por sua vez, apontam a maior liberdade de escolha por parte do eleitor e a maior margem para renovação de lideranças políticas.
Já as listas fechadas são criticadas por reduzirem a margem de escolha do eleitor e distanciarem estes dos eleitos e ainda serem responsáveis por criarem oligarquias parlamentares pelo fato de os detentores de mandato terem precedência na composição da lista partidária, além de darem poderes irrestritos aos "caciques" das legendas para elaborarem as listas. Como defesa são apontados o fortalecimento dos partidos, o fim das disputas entre candidatos de uma mesma agremiação e a escolha do eleitor em bases programáticas e não personalista. Para estes ainda a adoção das listas fechadas possibilitaria o financiamento público de campanha defendida na proposta no Congresso. Seus defensores vêem na proposta o fim do caixa dois uma vez que as campanhas seriam exclusivamente financiadas com dinheiro público sendo vedada a contribuição de pessoas físicas ou jurídicas.
O atual sistema eleitoral praticado no país para escolha das casas legislativas, segundo os modelos de classificação do cientista político Arend Lijphart na obra "Modelos de Democracia" é o proporcional. Por este modelo busca-se assegurar a representação de todas as correntes de opinião existentes na sociedade de acordo com a performance as urnas. Também conhecido como modelo consensual de democracia tem como características a existência de grande número de partidos, estados federativos e descentralizados e equilíbrio entre os poderes legislativo e executivo. Sua principal virtude é a de assegurar voz e voto às principais correntes de opinião e minorias nas casas legislativas.
Outro modelo seria o majoritário, também conhecido como "Westminster". Teve origem no parlamento inglês e é o modelo praticado nos Estados Unidos e, por este modelo assegura-se a eleição do candidato mais votado em escrutínio de maioria simples geralmente em distritos – unidade territorial. A fórmula gera grandes distorções, pois são comuns situações em que, em um dado distrito, o candidato mais votado soma 35% dos votos e é eleito, ao passo que os outros 65% do eleitorado não se fará representar no legislativo. Este modelo tem como principais características o voto distrital, o predomínio do poder executivo sobre o legislativo, a existência de poucos partidos e a concentração do poder. Sua principal virtude é assegurar maior governabilidade aos governos.
Já no sistema eleitoral misto praticado na Alemanha o eleitor vota duas vezes, uma em um candidato em seu distrito e outra em um partido que apresenta uma lista fechada de candidatos. Metade das cadeiras são preenchidas pelo voto majoritário e metade pelo sistema proporcional visando corrigir as distorções apontadas para os votos distritais.
Outro modelo seria o de lista flexível, onde o eleitor, se assim o desejar, pode alterar a ordem dos candidatos na lista como é o caso de países como na Noruega, Áustria e Suécia, ou ainda assinalar o candidato de sua preferência, como na Dinamarca, Grécia, Bélgica e Holanda.
Há ainda o sistema praticado na Suíça denominado lista livre onde o eleitor vota em um, em vários, em vários de vários partidos, tendo como limite o número de cadeiras em jogo na disputa.
Estes são, em linhas gerais, os vários modelos de representação praticados nas democracias pelo mundo. O que é certo é que não existe um modelo ideal, pois cada um deles apresenta problemas, por sua complexidade e ou por suas distorções em assegurar com que a vontade e as posições dos eleitores sejam convertidas em cadeiras no legislativo.
Uma coisa é certa: o perfil e a performance dos legislativos no Brasil indicam que mudanças são necessárias e urgentes. De nossa parte acreditamos que, mais uma vez a bandeira das reformas políticas é levantada pelo congresso, mais para impor uma agenda positiva e desviar o foco dos escândalos do que para a discussão e implementação da democracia que queremos. Acreditamos que, por hora, fica tudo como dantes no quartel de Abrantes.