segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O atual sistema político e eleitoral do Chile


O sistema político do Chile

Desde os primeiros textos constitucionais produzidos no Chile, em 1811, pela Junta Provisória encabeçada por Mateo de Toro Y Zambrano, que estabelecia um governo formado por três membros e um congresso unicameral, as inúmeras Constituições e reformas que se sucederam foram transformando o sistema político.

Com a Constituição de 1828 o país passa a ser governado por um Presidente eleito em votação indireta e é firmada a independência entre os três poderes do Estado. O Poder Legislativo passa a ser bicameral que passam a nomear ministros da Suprema Corte de Justiça e elaborar a peça orçamentária do governo federal dentre outras atribuições.

Somente a partir da Constituição de 1925, aprovada por plebiscito nacional, durante o governo de Alessandri é que a escolha do presidente passa a ser por eleição direta e o mandato é ampliado de cinco para seis anos. O Estado é separado da Igreja e é garantida a liberdade de culto, consciência, são asseguradas as garantias individuais e é criado o Tribunal Qualificador de Eleições para organizar e fiscalizar pleitos.

No que se refere ao direito de voto às mulheres só foi conquistado em 1934 para as eleições municipais e em 1949 para as eleições federais.

Durante o governo de Eduardo Frei Montalva são introduzidas modificações importantes como a limitação de ordem social ao direito de propriedade, que abrirá uma brecha na Constituição para a nacionalização das reservas de cobre e da reforma agrária ensaiadas no governo Frei e aceleradas no governo Allende. Outras mudanças implementadas por Frei foram a extensão do direito de voto aos analfabetos e a diminuição da idade para votar de 21 para 18 anos.

Com o golpe militar, em 1973, rasgou-se a Constituição e o poder usurpado passou a ser exercido por meio de decretos-lei até o ano de 1980 quando uma nova Constituição preparada por uma comissão é aprovada pela junta de governo chefiada por Pinochet e submetida a um plebiscito. Promulgada em 21 de outubro, a nova Constituição continha 120 artigos permanentes e 29 transitórios e é a carta atualmente vigente no Chile.

Segundo o texto o Chile é uma República Democrática, cujo estado é unitário, mas dividido em 13 regiões, 51 províncias (estados) e 342 comunas (municípios).

As regiões são administradas por um Governo Regional, tendo à frente um Intendente, na condição de representante do Presidente da República, e pelo Conselho Regional, órgão resolutivo, normativo e fiscalizador.

Nas províncias a administração é feita pelo Governador que é subordinado ao Intendente e assessorado pelo Conselho Econômico e Social Provincial, presidido por ele. A Administração comunal está a cargo do Prefeito que é assessorado pelo Conselho, presidido por este, e que funciona como órgão resolutivo, normativo e fiscalizador e são eleitos pelo voto popular a cada quatro anos.

O Congresso Nacional é bicameral composto por 120 deputados e 48 senadores e tem como atribuição legislar e fiscalizar os atos do poder executivo e está sediada na cidade de Valparaíso.

Ao Poder Judiciário cabe a aplicação das Leis e seu órgão máximo é a Corte Suprema que além de zelar pela correta aplicação da legislação em vigor exerce o controle administrativo e disciplinar sobre os demais tribunais e juízes do país.

O sistema eleitoral

No Chile o voto é secreto e obrigatório para cidadãos maiores de 18 anos. Para as próximas eleições de dezembro o último censo eleitoral aponta a existência de 7,5 milhões de eleitores. A Constituição de 1925 estabeleceu o sistema de representação proporcional para alocação de cadeiras legislativas em 28 distritos plurinominais, o sistema mais utilizado na América Latina e Europa.

Na época da ditadura militar o país foi redividido em 60 distritos eleitorais e, para as eleições legislativas cada distrito tem direito a duas cadeiras na Câmara dos Deputados. Cada partido lança um nome para cada cadeira e, por isso, o sistema é conhecido como “binominal”, pois cada distrito elege dois deputados, ou dois senadores e, embora seja permitida a coligação de partidos para disputar as vagas é praticamente impossível a conquista das duas, uma vez que, para que isso ocorra, o partido ou coligação necessita ter o dobro de votos do partido ou coligação adversária.

Este mecanismo foi criado na ditadura militar para garantir a o acesso dos partidos de direita às cadeiras no Congresso e impedir o acesso dos candidatos da extrema-esquerda que, por conseqüência, são chamados de “esquerda extraparlamentar”. Por conta deste mecanismo o Partido Comunista Chileno embora consiga nas urnas votação em torno de 5 a 6% não possui nenhum representante no Congresso.

Para o cargo de presidente da República também é facultada a coligação de partidos e a escolha é pelo voto direto. Para ser eleito o candidato deve alcançar nas urnas a maioria simples dos votos válidos, ou seja, 50% mais um voto e, caso isso não ocorra, é realizado um segundo turno entre os dois candidatos mais votados no primeiro turno.

domingo, 29 de novembro de 2009

As eleições 2009 no Chile e o perfil dos concorrentes - IV

Jorge ArrateUma das imagens de abertura do site oficial de Arrate. Acesso 29-11-09 22h12

Jorge Félix Arrate Mac Niven nasceu em Santiago do Chile em 1941, é advogado, economista, escritor, professor universitário e político. No governo Allende foi nomeado presidente executivo da CODELCO, época em que as jazidas de cobre foram nacionalizadas. Entre os anos 1973 e 1987 esteve no exílio e foi secretário do Comitê de chilenos no exterior.

Com a redemocratização foi nomeado Ministro da Educação do governo Aylwin e Ministro do Trabalho e Previdência Social. Durante o governo Tagle foi Secretário de Governo e, no governo de Lagos, foi embaixador na Argentina.
Foi filiado e membro da direção do Partido Socialista desde 1963, mas em janeiro deste ano filiou-se ao Partido Comunista e é o candidato da Coligação Juntos Podemos Mais que agrupa os partidos da chamada esquerda extraparlamentar chilena.

As eleições 2009 no Chile e o perfil dos concorrentes - III

Eduardo FreiUma das imagens de abertura do site oficial de Frei, de paletó cinza à direita. Acesso 29-11-09 16h15

Eduardo Alfredo Juan Bernardo Frei Ruiz-Tagle nasceu em Santiago do Chile em 1942, é engenheiro civil formado pela Universidade do Chile, tendo cursado especialização na Itália em Administração e técnica de gestão. Frei é filiado à Democracia Cristã e foi o segundo presidente após a queda da ditadura, governando o Chile entre os anos 1994 e 2000.

Seu pai, Eduardo Frei Montalva, também democrata cristão, foi presidente entre 1964 e 1970, e foi um dos principais líderes de oposição ao governo Salvador Allende. Apoiou o golpe militar, mas num segundo momento liderou as forças contrárias ao general Augusto Pinochet, até sua morte em uma clínica privada onde foi operado. A justiça investiga se, como acreditam a família e muitos no Chile, a ditadura mandou envenenar o ex-presidente. Os exames realizados encontraram indícios de que isso tenha ocorrido. Frei é o candidato da Concertacion, frente de partidos que governa o país desde a redemocratização do país em 1990.

As eleições 2009 no Chile e o perfil dos concorrentes - II

Marco-Ominami
Uma das imagens de abertura do site oficial de Marco. Acesso 29-11-09 12h08

Marco Antonio Enríquez-Ominami nasceu em 1973 e é o mais jovem candidato do pleito. É filho de Miguel Enríquez Espinosa, fundador e secretario geral do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR) assassinado pela ditadura chilena quando Marco tinha meses de vida. Sua mãe, Manuela Gumucio Rivas é filha do ex-senador fundador da Democracia Cristã, Rafael Agustín Gumucio Vives.

Aos cinco meses de idade Marco e toda sua família foram expulsos do país por um decreto militar e, no exílio na França, sua mãe casou-se com o senador Carlos Ominami. No ano de 2000, Marco agregou o sobrenome Ominame a seu nome.
Filosofo e cineasta, Marco é casado com a jornalista e apresentadora de TV, Karen Doggenweiler, com quem tem duas filhas.

É deputado tendo sido eleito em 2005 pelo Partido Socialista, do qual se desligou para apresentar sua candidatura à presidência pela Coligação Nova Maioria para o Chile, formadas por ecologistas, humanistas e outras forças progressistas.

As eleições 2009 no Chile e o perfil dos concorrentes - I

Sebastián Piñera

Uma das imagens de abertura do site oficial de Piñera. Acesso 29-11-09 11h01

Miguel Juan Sebastián Piñera Echenique nasceu em Santiago do Chile em 1 de dezembro de 1949. É empresário e político chileno membro do partido de centro-direita Renovación Nacional (RN), a facção mais liberal e moderada da direita chilena. Foi senador entre 1990 e 1998 e nas eleições de 2005 foi candidato à Presidência da República, tendo sido derrotado pela socialista Michelle Bachelet no segundo turno.

Piñera introduziu no Chile o sistema de cartões de crédito no início dos anos 1980, o primeiro de uma série de negócios que o levaria a acumular uma das maiores fortunas do país. Atualmente, é dono da cadeia de televisão Chilevisión, acionista majoritário das linhas aéreas LAN e sócio de numerosas empresas com um patrimônio estimado de 1,2 bilhão de dólares. No Brasil é controlador da ABSA, empresa de logística aérea sediada em Campinas, interior de São Paulo.

É casado, pai de quatro filhos e vem de uma família vinculada à Democracia Cristã. Formado pela Universidade Católica de Santiago e com mestrado em Harvard, Piñera trabalhou na década de 1970 no Banco Mundial e na Cepal.

A Coligação para a Mudança, da qual é o candidato, é composta por conservadores e liberais de centro-direita. Participam da coligação os partidos Alianza por Chile, Unión Demócrata Independiente (UDI), Renovación Nacional (RN), ChilePrimero (CH1) e os movimentos Norte Grande e o Humanista Cristão. (MHC).

O Governo de Michelle Bachelet

Bachelet em vista a Casa Branca


Michelle Bachelet, médica pediatra e epidemiologista, assumiu a presidência do Chile no dia 11 de março de 2006, convertendo-se na primeira mulher a assumir a presidência do país. Segundo informações da France Press, repercutidas pelo jornal A Folha de São Paulo, no dia de sua posse, acompanhada pela mãe e seus três filhos, Michelle teve seu primeiro contato direto com os cidadãos da capital Santiago em um emotivo discurso no Palácio de La Moneda, onde recordou seu pai e vários ex-presidentes, desde o conservador Jorge Alessandri ao socialista Salvador Allende, omitindo Pinochet e arrancando acalorados aplausos.

Filha do militar constitucionalista, Alberto Bachelet, preso em 73 e torturado, veio a falecer na prisão em 1974, a exatos 32 anos de sua posse, segundo as autoridades de ataque cardíaco. Bachelet recordou passagens do golpe militar quando também foi presa com sua mãe, a arqueóloga Ángela Jeria, pela DINA, polícia secreta da ditadura, em 1975, torturadas e forçadas a partir para o exílio. Ainda segundo a reportagem, os maiores aplausos foram para Salvador Allende, que se suicidou no La Moneda durante o golpe de 1973 e para Lagos, que deixava o governo com índices de popularidade na casa dos 61%, índices até então sem precedentes para um governante chileno em final de mandato só superado pela sua sucessora.

Ao assumir o governo montou um gabinete de 20 ministros repartindo cargos entre homens e mulheres igualmente, fato nunca ousado em nenhum governo. Seus primeiros meses de mandato são tumultuados, pois teve de enfrentar enormes manifestações estudantis em todo o país por uma reforma educacional e, logo a seguir modificações desastrosas iniciadas no governo Lagos no setor de transportes trouxe caos e descontentamento aos usuários do transporte público, a ponto dela ser retratada em charges pelos órgãos de comunicação impressa como um ônibus indo em direção a um penhasco.

Hoje, restando pouco mais de quatro meses para concluir seu mandato Bachelet ostenta índices de aprovação superior a 76% segundo apurado pelo instituto Adimark Gfk em setembro, graças a seu ousado programa de proteção social voltado às mulheres e crianças, á reforma previdenciária e aos bons frutos de sua política econômica que, apesar da crise econômica mundial coloca o Chile, ao lado do Brasil, em uma posição privilegiada, com a perspectiva de crescimento do PIB chileno da ordem de 5%. Em meio à crise o governo Bachelet criou um programa de ajuda em dinheiro no valor de 60 dólares para mais de dois milhões de chilenos em situação vulnerabilidade econômica. Para se ter uma idéia da abrangência deste programa convém ressaltar que o Chile tem hoje população total de cerca de 15 milhões de habitantes.

Como no Chile não há reeleição imediata concorrem este ano quatro candidatos; o engenheiro democrata cristão, Eduardo Frei Tagle pela Coligação Para a Democracia ou Concertacion, composta por democratas cristãos, sociais-democratas, radicais e socialistas; o economista e empresário Sebastián Piñera, pela Coligação Aliança pelo Chile, de centro-direita composta por conservadores e liberais; o filósofo e cineasta Marco Ominami pela Coligação Nova Maioria para o Chile, composta por ecologistas e humanistas, e Jorge Arrate pela Coligação Juntos Podemos Mais composta por comunistas e outras forças de esquerda.